35 anos de Labirinto: A Magia do Tempo, um fracasso que virou um cult de fantasia!

35 anos de Labirinto: A Magia do Tempo, um fracasso que virou um cult de fantasia!

Podem soar clichês aquelas velhas histórias de filmes que foram um fracasso na época de seus respectivos lançamentos originais, mas que com o tempo, foram conquistando uma legião de fãs e, consequentemente, se tornaram aquilo que é entendido como “clássico cult“. São diversos casos desses, indo desde filmes que hoje em dia são extremamente aclamados e importantes para a história do Cinema, até aqueles que são adorados por um grupo bem específico. Nos anos 80, um caso de filme que foi um fracasso comercial em seu lançamento mas que, com o passar das décadas, passou a ser cultuado pelos saudosistas dessa época e por fãs de filmes de fantasia, é Labirinto: A Magia do Tempo, que, em 2021, completa 35 anos.

Pôster clássico de Labirinto.

Lançado no ano de 1986, Labirinto conta a história da jovem Sarah, uma menina apaixonada por histórias de fantasia, que, enjoada de sua rotina de ter que cuidar de seu irmão Toby, ainda um bebê de colo, deseja que ele suma de sua vida. Ela tem seu pedido atendido quando Jareth, o rei dos Duendes, o sequestra. Agora, para resgatá-lo, Sarah terá que resolver um complexo labirinto, com a ajuda das mais peculiares criaturas de uma espécie de terra encantada.

Na época, o filme contou com um trio de peso em sua produção. O diretor foi Jim Henson, o genial criador dos Muppets e Vila Sésamo, que já vinha da realização de um outro longa: O Cristal Encantado, lançado em 1984 e que recentemente ganhou uma série prelúdio lançada pela Netflix: O Cristal Encantado: A Era da Resistência. Um dos seus produtores foi ninguém mais, ninguém menos do que George Lucas, que, naquela altura do campeonato, já era consagrado pela realização da trilogia clássica de Star Wars. Por fim, a grande estrela do filme, que deu vida ao duende Jareth, foi o cantor, compositor e ator David Bowie, um dos maiores artistas da história e que já era um astro do Rock consagrado na época que aceitou fazer o filme

Lucas, Bowie e Henson.

A história por trás de Labirinto começa a partir da parceria entre Jim Henson e o artista conceitual Brian Froud, que já haviam trabalhado juntos em O Cristal Encantando. Froud apresentou o conceito do filme como sendo uma fantasia mais familiar, envolvendo duendes e criaturas fantásticas. A partir disso, o roteiro do longa, apesar de ser creditado oficialmente para Terry jones, um dos integrantes do lendário grupo humorístico Monthy Phython, nasceu de uma colaboração entre Jones, o próprio Henson, Dennis Lee, que era um autor de livros infantis, e George Lucas.

Jim Henson, que buscava um produtor de nome para o seu próximo projeto, apresentou Labirinto para George Lucas, que logo aceitou produzi-lo, fazendo do filme uma co-produção entre a The Jim Henson Company, a produtora de Henson, e a LucasFilm, produtora de Lucas. Na época, o criador de Star Wars, por conta do sucesso estrondoso de sua saga, administrava um império milionário e encontrava-se afastado da função de diretor. Já Henson, como dito, era o aclamado criador dos personagens de Os Muppets e Vila Sésamo. Sendo ele um especialista em marionetes, animatrônicos e protótipos de criaturas, a maioria dos personagens de Labirinto foram trazidos a vida nesse modelo, em um brilhante trabalho da Jim Henson Creature Shop, a divisão de efeitos visuais de sua produtora. Os únicos personagens “de carne e osso” a aparecerem em todo o filme são o própria Jareth, Sarah, seu irmão e seus pais.

Para o elenco, a escolha de David Bowie, falecido em 2016, vítima de um câncer de fígado, veio do desejo de Henson em ter uma estrela extremamente carismática na produção. Antes dele, chegaram a ser cotados nomes como os de Michael Jackson, Prince e até mesmo Mick Jagger, integrante dos The Rolling Stones. Bowie não só estrelou Labirinto como também foi o responsável por sua trilha sonora (ao lado de Trevor Jones, que ficou a cargo da parte instrumental). Como o longa trata-se de um musical de fantasia, ele é recheado de números musicais com composições originais de Bowie, feitas exclusivamente para o filme e que se tornaram até mesmo uma porta de entrada à obra do cantor para muita gente.

Bowie, o camaleão do Rock, como Jareth

Para a intérprete de Sarah, após nomes como os de Helena Bonham Carter, Laura Dern e Marisa Tomei terem sido cotados, a escolhida foi Jennifer Connelly, que na época tinha apenas 15 anos. Hoje com 50, Connelly é uma das mais populares atrizes de sua geração, sendo, inclusive, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Uma Mente Brilhante.

Jennifer Connelly.

Um filme que reunia tantos nomes de peso não poderia ter dado errado, não é mesmo? Porém, como já mencionado anteriormente, na época de seu lançamento, Labirinto não fez muito sucesso. Com um orçamento estimado em cerca de 25 milhões de dólares, o filme faturou somente 13 milhões mundialmente, levando Henson a passar por um período difícil em sua carreira, com Labirinto sendo seu último longa-metragem. Apesar disso, com o passar do tempo e boas vendas nos lançamentos em home video, o filme se tornou um dos clássicos de fantasia dos anos 80 mais cultuados de todos, com até mesmo uma possível sequência em produção pelas mãos dos filhos de Henson.

Adorado, principalmente, pelos fãs de Jim Henson e de David Bowie e por saudosistas da década de 80 como um todo, Labirinto, de fato, carrega uma leveza em seu conceito. Reunindo uma história simples, porém, divertida e recheada de números musicais icônicos, criaturas encantadoras e tudo que um verdadeiro escape em forma de filme dá direito aos seus espectadores, chega a ser injusto lembrar do fato de o filme ter sido um fracasso em seu lançamento original.

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