A indústria do entretenimento ainda sente os efeitos da paralisação histórica de 2023, mas um novo impasse trabalhista já começa a preocupar os estúdios. O risco de uma nova greve em Hollywood voltou ao centro do debate após declarações de Duncan Crabtree-Ireland, negociador-chefe do SAG-AFTRA (Sindicato dos Atores), que não descartou uma nova interrupção das produções nos próximos meses.
Em entrevista ao Puck (via World of Reel), Crabtree-Ireland foi direto ao comentar as próximas rodadas de negociação contratual. “Certamente não descartarei uma greve”, afirmou, reacendendo o alerta entre produtores, distribuidores e plataformas de streaming.
Segundo o sindicato, as negociações com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP) terão início em 9 de fevereiro, com reuniões previstas até 6 de março. Apesar do tom cauteloso, o representante do SAG-AFTRA tentou demonstrar otimismo, destacando que há tempo suficiente para um acordo. “Com semanas e semanas de tempo para negociar, não há razão para não conseguirmos chegar a um acordo”, disse.
Entre os principais pontos de tensão estão, mais uma vez, o uso de inteligência artificial, reajustes para compensar o custo de vida e benefícios ligados aos planos de saúde — temas que também estiveram no centro da greve anterior e seguem sem soluções definitivas para os trabalhadores.
O calendário sindical torna o cenário ainda mais delicado. O Sindicato dos Roteiristas (WGA) deve iniciar suas negociações em 16 de março, com o contrato atual expirando em 1º de maio. Já o Sindicato dos Diretores (DGA) tem previsão de começar as conversas em 11 de maio. Para agravar a situação, os contratos do DGA e do SAG-AFTRA vencem simultaneamente em 30 de junho, o que aumenta o risco de uma paralisação conjunta.
O temor nos bastidores é a repetição do caos de 2023, quando Hollywood ficou praticamente paralisada por meses logo após a pandemia. Na época, a greve provocou atrasos em produções, adiamentos de estreias e um impacto profundo nas bilheteiras, acelerando a migração do público mais velho dos cinemas para o streaming — um prejuízo do qual o setor ainda tenta se recuperar totalmente.
Com negociações decisivas à frente, os próximos meses prometem ser cruciais para definir se Hollywood conseguirá evitar mais uma crise ou se enfrentará, novamente, um longo período de incerteza.

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